Monóxido de carbono

Tenho pensado muito em monóxido de carbono e como ele pode se agregar às hemoglobinas. Imaginem isso acontecendo comigo. Adoro a ideia de uma morte indolor. Meu maior sonho é morrer dormindo.

Na verdade, não acho que esse seja meu maior sonho, mas considerando que o que eu queria mesmo era ser magra, alta, bonita, não ter estrias, nem celulites, nem acne, nem pelos aparentes e ser bem sucedida e realizada profissionalmente, uma morte rápida e indolor parece uma opção mais viável e menos frustrante de sonho.

Tenho adorado andar com o volume dos fones de ouvido no máximo e sem olhar para os lados, tem sido um novo hobbie.

Voltei a me cortar, meu objetivo é chegar cada vez mais fundo, atingir uma veia qualquer dia desses - eu nunca consegui fazer isso, é outro motivo de frustração.

Esse tempo, esse maldito clima só pode ter sido criado pelo diabo pra me ver sofrer mais ainda, nesses dias, eu literalmente tenho tido vontade de me jogar no chão e bater a cabeça em tudo de tanto calor, e ainda vou ter que fazer vestibular numa tarde quente como estas - como se fazer vestibular já não fosse ruim o suficiente.

Eu não sei o que fazer. Isso é tão frustrante. Eu quero passar esse ano pra não perder mais um ano da minha vida estudando pra essa bosta; mas passar em que? O que eu quero fazer? Eu odeio tudo, literalmente tudo, não sei fazer nada. Tremo só de pensar em qualquer tipo de licenciatura, não sei desenhar, não sou boa com física, biologia, inglês, não sou boa com nada - só em reclamar.

Eu não consigo não reclamar, não ficar triste, não chorar, eu estou tão desesperada, eu não consigo pensar em nada bom, nada, nunca e deixo as pessoas ao meu redor mal.

Não sei se vou prestar Vunesp, eu queria prestar só pra não ser tão feio ano que vem na reunião dos bixos, quero ter algo pra escrever na testa. Ano passado eu fiz treineiro, mas pela minha nota, teria passado em alguns cursos. Porém, gastar 155 reais com algo que eu nem vou fazer... não sei, acho que não.

Gente, me ajuda, o que eu devo colocar no Enem? Falem cursos aleatórios (exceto licenciaturas e medicina). Obrigada.

(Na Fuvest, eu já coloquei Engenharia na POLI (eu sou masoquista, só pode ser) e no vestibular da Unicamp, já coloquei Engenharia de Computação (não sei nem mexer com HTML, imagina programar alguma coisa, eu sou uma retardada mesmo)).

Bom, mas já que, em tese, isso seria um blog sobre dieta e preocupação com o corpo, aqui vai minha última pesagem: 49 kg, ontem.

Enfim, beijinhos.





Comentários

  1. Seu peso pra mim é thinspo!
    Olha eu também só sou boa em reclamar, gostaria de te ajudar com alguma dica sobre curso mais nunca fiz Enem na vida, eu sou analfabeta!
    Se cuida.

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    1. Estou bem longe de ser thinspo hahahaha

      Eu adoro reclamar, dá um alívio né?

      Se cuide também, bjos

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  2. Quanto ao vestibular:
    Olha, se tem uma coisa na qual eu tenho experiência é não saber o curso da faculdade. (Eu prestei Letras, História, Farmácia e Química.)
    Passei em todos, escolhi pela que achava a melhor instituição. Abandonei o primeiro curso dois meses depois de começá-lo e passei o ano inteiro “tentando me encontrar”, assistindo a todo tipo de aula em uns 20 cursos diferentes.
    Escolhi um – muito na dúvida – e o concluí com muita dificuldade, em meio a uma série de rompantes de desespero por largar tudo e começar do zero (e olha que eu gostei do curso).
    A verdade é que todos são ruins (no sentido de que nenhum é verdadeiramente capaz de nos fazer escapar à inevitável condição de infelicidade inerente à natureza humana). A dúvida é um processo que faz parte, também, do próprio processo de graduação (não era só eu que tinha os rompantes de desespero) e a “grama do (instituto) vizinho sempre parece mais verde”.

    Minha escolha foi por afinidade. Gostava de ler, escolhi algo que exigia leitura. No entanto, se eu precisasse dele para viver, estaria em sérios apuros financeiros. Quando eu trabalho, faço atividades relacionadas a idiomas estrangeiros... Minha graduação mesmo é só um “up” no currículo.
    Se você que dinheiro, recomendo Ciências da Computação. Há muuuita oferta de trabalho, paga-se muito bem, além de muitas vezes você poder trabalhar em casa, mas vale pensar se você é o tipo de pessoa que vai conseguir dedicar um tempo considerável da sua vida a coisas super legais como o desenvolvimento de algoritmos u-ú.
    Tenho alguns amigos que trabalham com isso e, acredite, eles são consumidos por isso. Eles conversam sobre isso no café, sonham com isso, só namoram com pessoas “do meio” (porque ninguém mais suportaria falar tanto sobre isso!) No fundo, a profissão é algo muito ligado à nossa individualidade e escolher algo muito alheio a si mesmo pode ser muito angustiante.

    Agora, se você detesta tudo por igual, é melhor escolher o que dá mais dinheiro :) Simples.

    Quanto ao desejo de morrer:

    Eu entendo bem o desejo pela morte. A verdade é que, mesmo para as pessoas ricas, bonitas e inteligentes, a morte é o único objeto verdadeiramente acessível, pois é a única coisa que, quando obtida, pode fazer o ato de desejar cessar. Isso porque, quanto aos outros objetos de desejo (plásticas, magreza, jóias etc), assim que os temos eles automaticamente deixam de ser desejados.

    É lamentável, mas é isso. Quando você pesa 42kg, isso não tem mais nenhuma importância diante dos 40kg.

    A vida é assim mesmo, é uma coisa dolorosa e miserável, no entanto, isso não significa que devamos extingui-la. A bom seria levar uma vida que não seja livre do sofrimento, mas que ainda sim possa ser preferível à não existência. E nisso acho que é muito importante ver a maneira com a qual você vai lidar com o sofrimento.

    Como depressiva, nos meus dias bons, consigo ver a fossa como uma espécie de acesso a um mundo secreto, algo que aflora minha sensibilidade de forma que eu possa, por exemplo, ter uma relação mais profunda com a literatura, música ou cinema.

    Se você tiver saco, tem uma matéria com um psicanalista ótimo falando não propriamente sobre o suicídio, mas sobre o problema da felicidade e das dúvidas de maneira geral. Talvez nesse momento complicado que você está passando seja legal dar uma olhada:

    http://mdemulher.abril.com.br/estilo-de-vida/claudia/contardo-calligaris-nao-quero-ser-feliz-quero-e-ter-uma-vida-interessante

    Fica bem,
    Bj

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    1. Então, eu já pensei em escolher baseado no dinheiro, na verdade, é mais ou menos isso que estou fazendo, mas meu maior medo são as responsabilidades, eu morro de medo de responsabilidades porque imagina se eu cago nas coisas, isso vai ter um efeito horrível dependendo do meu cargo e eu nunca mais vou conseguir emprego na vida. Já pensei em ciência da computação (inclusive, é minha 2ª opção na Unicamp), mas quando falo para as pessoas, elas falam "não, faz engenharia da computação, melhor, mais completo, não sei o que" e, como eu não sei o que quero fazer, deixo-me levar.

      A única vantagem que consigo ver na fossa é que eu não sou uma daquelas pessoas good vibes chatas (meu deus, como eu detesto gente good vibes), não aflora nada em mim, no geral, eu fico procrastinando mais do que o normal, aí percebo como sou inútil e choro em posição fetal ou simplesmente durmo até não aguentar mais.

      E eu acho a vida, apesar de todas as suas mazelas, uma coisa mágica e linda, inclusive a vida humana, por incrível por pareça, mas é difícil lidar. Eu não sei lidar e, por não saber lidar, tendo a ver na morte uma solução para todos os meus problemas, por mais que eu saiba que há outras formas. Sei lá, sou preguiçosa e só sei reclamar mesmo.

      Vou dar uma olhada na matéria, obrigada.

      Fique bem também. Bjos!

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  3. correção de sentença: "levar uma vida que não seja livre do sofrimento, mas que ainda possa sim ser preferível à não existência"
    (esqueci que não dá para editar o comentário como no face! )

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  4. Eu ficaria muito chateada se você desistisse do seu outro sonho optando pela morte indolor. Realizar 100% eu acho que nunca dá, até porque as metas vão mudando, mas dá pra chegar perto, qualquer conquista deixa a gente feliz, nem que seja temporariamente.
    E se chegando cada vez mais perto, conseguir transformar isso em qualidade de vida, de maneira que ela se torne agradável, ou pelo menos mais agradável do que a ideia de não existir, valeu a pena.
    Morrer é tipo game over, você perde totalmente a chance de conseguir algo legal.
    Quanto ao curso, você tem sensibilidade e inteligência acima da média, dá pra escolher qualquer coisa. É difícil saber do que a gente gosta tão cedo, pra escolher uma profissao que vai durar talvez o resto da sua vida. Mas se você acertar mais ou menos, escolher algo suportável, vai corrigindo depois através das especializações, que dá pra fazer muita interface com a nova área que você achar que gosta mais.

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    1. O problema é que eu não consigo realizar nada, nunca. Tudo sempre parece estar errado, e é difícil ver alguma vantagem, alguma qualidade no que eu sou psicologica e fisicamente.

      Eu sei que morrer é tipo game over, mas sabe, é que eu penso que é pra isso que a gente nasce, então tanto faz morrer agora ou morrer depois, de qualquer forma a gente vai ser sempre insignificante pro resto do universo.

      Eu queria ter inteligência e sensibilidade acima da média, provavelmente conseguiria minha vaguinha na Poli (apesar do medo de ser estuprada lá), mas ao mesmo tempo eu não sei se queria porque não sei o que eu quero hahaha. É bem ruim. Minha única esperança é fazer o curso que eu passar (mesmo que eu não goste) e ir corrigindo com especializações como você disse ou se for algo que eu realmente odeie e não tiver como arrumar, pelo menos ter um emprego pra pagar o cursinho.

      Obrigada, bjinhos <3

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  5. Ai, amiga, então somos duas! Imagine fazer o Enem com esse calor? Arghh nem consigo me imaginar naquelas salas quentes, abafadas e com ventiladores imprestáveis... aff
    Quanto a isso desejo boa sorte a nós duas :)
    Quanto ao curso... Responda a si mesma: o que eu realmente gosto de fazer? Quando responder a essa pergunta, tudo irá se tornar mais fail....
    Só que não né? Kkkk
    Até o ano passado eu ia prestar engenharia aeronautica, mas como não tem muito mercado de trabalho, resolvi mudar...
    Na Unicamp e na USP vou prestar arquitetura (gosto de desenhar e história da arte), mas penso em usar o Enem para contabilidade ou economia... ou arquitetura rsrs sei lá... só não vou prestar Unesp, pois tudo é muito muito longe de SP, e eu não me vejo, nesse momento, muito longe daqui... Eu poderia prestar artes visuais na Unesp, mas o campo de trabalho tambem é bem ruinzinho...
    Enfim... haja cabeça para tantas duvidas, né? Mas existem muitas possibilidades boas, tenho certeza de que encontrará o curso certo....
    Quanto a estudar mais um ano para isso... sim, é ruim, mas pense... é para sua vida inteira, talvez valha a pena.


    Agora... fiz tecnico em eletronica e tive uma base em programação.... Aff, não é qualquer um que aguenta, pense bem...

    Se eu puder te ajudar em algo ficarei muito feliz... Beijos, linda...
    Fique forte

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    1. Vestibular já é uma bosta, mas cozinhar numa salinha com os seus concorrentes por 4 horas e meia é ainda pior. Também desejo boa sorte a nós duas.

      Eu me faço essa pergunta todos os dias, e sempre o que me vem a cabeça é que só aguentaria trabalhar com moda, mas risquei essa opção por questões de $$, o mercado aqui no Brasil é bem ruim, principalmente se você não é bonita ou foda, e bom... eu não sou nenhuma das duas coisas, inclusive quando tentei costurar prendi minha mãe na máquina e meus desenhos parecem terem sido feitos por uma criança do jardim da infância.

      Engenharia Aeronáutica, que coragem, me lembra ITA e eu tremo só de pensar hahaha.

      Tenho três amigas que querem arquitetura, uma delas conseguiu 90% de desconto na Anhembi Morumbi e uma viagem de 6 meses para o exterior no 3º semestre do curso, vai ter outra prova dia 17 de outubro, eu queria fazer, mas não tenho dinheiro nem para pagar o vestibular, nem para pagar o busão pra São Paulo, triste, bem triste.

      Eu me arrependo até a morte de não ter feito um curso técnico, deveria ter saído da escola particular no ensino médio e ter ido para uma Etec, fazer algum curso técnico, ou mesmo ter feito Senai, ao invés disso eu fiz o que? Fiquei tendo aula a tarde na escola e fiz curso de música e, no entanto, eu não tenho capacidade pra passar nem no vestibular, nem na prova prática do Conservatório de Tatuí.

      Eu sei que mais um ano poderia ser bom, praticamente todos os meus professores fizeram cursinho e dizem que foi muito bom para eles, ajuda a se descobrir melhor, criar mais maturidade e eu sou muito imatura, poderia ser algo útil pra mim, mas sei lá, eu perdi 3 anos já com isso, perder mais 1? Vou no que eu passar mesmo.

      Obrigada pela força. Um beijão <3

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  6. Olá, é a minha primeira vez no seu blog.
    Uh, você e lâmina tem um caso. Isso é complicado, elas nos trata de uma forma, doce mas leva uma parte do nosso coração esmagado. ( difícil)
    Não sei te dizer o que é bom e o que não. Mas deve existir algo que você faça bem, ou que tenha uma facilidade. Não é possível, não ter um talento ?? ( ou é )
    Não fiz facul, e nem tenho interesse. Tô que nem sapo na beira da lagoa, sendo empurrado pela corrente. Mas para começar algo bom, sei lá opte por Curso técnico, ele oferece um salário " melhor" dependendo do curso. E também pode te dar uma estabilidade melhor... Não sei talvez...

    Abraços da Lua, te segui <3

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    1. Obrigada.

      Eu realmente estou muito perdida, não sei o que quero fazer, mas sinto que preciso passar (no que? Eu não sei). Acho que devia ter feito curso técnico no ensino médio, agora parece que eu vou ficar velha pra isso, sei lá.

      Enfim, bjos.

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